Antes de terminar o ultimato de Donald Trump, os Estados Unidos e o Irão chegaram a entendimento para um cessar-fogo provisório e para a reabertura do estreito de Ormuz por duas semanas. Mesmo que as conversações ainda tenham de conduzir a uma paz duradoura, o simples anúncio já fez recuar as cotações do petróleo. A questão é saber se isso se vai sentir, ou não, no preço pago pelos condutores nas bombas.
Duas horas antes do fim do prazo que Donald Trump tinha anunciado - “Uma civilização inteira vai desaparecer esta noite”, ameaçara - Washington e Teerão acordaram um cessar-fogo provisório com a duração de duas semanas (com o Paquistão a desempenhar o papel de intermediário), para abrir espaço a uma solução diplomática para o conflito. Do lado norte-americano, houve o compromisso de suspender a intervenção militar que estava prevista contra o Irão. Já o Irão aceitou reabrir o estreito de Ormuz, um corredor essencial para o transporte marítimo (sobretudo de petróleo), durante o mesmo período de duas semanas.
Queda do Brent e do WTI após a reabertura do estreito de Ormuz
Em circunstâncias normais, quase 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passam por este estreito. O seu encerramento, por isso, levou naturalmente a uma subida brusca dos preços dos hidrocarbonetos. Com o anúncio do cessar-fogo provisório, os futuros do Brent e do WTI caíram, respectivamente, 13,3% e 15,2%, voltando a ficar abaixo da fasquia dos 100 dólares por barril. O Brent, que serve de referência ao petróleo do Médio Oriente, situava-se nos 92 dólares às 08 h 30, antes de inverter e subir para 95 dólares às 09 h 30.
Preços nas bombas: o que pode acontecer nos próximos dias
Em França, este recuo pode traduzir-se num alívio nos preços ao consumidor. Citado pela AFP, Olivier Gantois, presidente da União Francesa das Indústrias Petrolíferas (UFIP), indica que os preços nas estações de serviço deverão descer nos próximos dias, caso as cotações se mantenham “por volta de 93-95 dólares por barril”. A descida repercutida seria da ordem de 5 a 10 cêntimos por litro (explicamos tudo aqui).
Será mesmo o fim deste pesadelo?
Na Ásia, as bolsas reagiram de forma positiva ao anúncio do cessar-fogo, devido à sua forte dependência dos hidrocarbonetos do Médio Oriente. Ainda assim, convém sublinhar que tanto o cessar-fogo como a reabertura do estreito de Ormuz estão previstos apenas por duas semanas. A partir daqui, os dois lados têm de negociar para chegar a uma paz duradoura. No anúncio, Donald Trump referiu uma proposta do Irão em dez pontos, que servirá de base às negociações.
O facto de o barril continuar sustentado acima dos 90 dólares também relativiza a ideia de resolução rápida da crise no Médio Oriente. Antes de o conflito começar - com os primeiros ataques a Teerão, em 28 de fevereiro passado - o barril era transaccionado entre 60 e 70 dólares, valores muito inferiores aos actuais, mesmo após a correcção em baixa desde a assinatura do cessar-fogo.
Transporte marítimo: navios retidos e tráfego ainda congestionado
No plano do transporte marítimo, os cerca de 800 navios bloqueados nas imediações do estreito de Ormuz não voltarão a navegar como se nada tivesse acontecido, uma vez que os armadores continuam muito cautelosos, nomeadamente por razões de seguro. Além desses 800 navios no golfo Pérsico, mais de 3 000 estão numa zona que permanece totalmente congestionada. Num ritmo normal, como o do período pré-crise, entre 100 e 140 navios atravessavam o estreito diariamente.
Chegar novamente a esse nível não será um processo de poucos dias, sobretudo se o Irão pretender manter controlo e cobrar uma taxa por cada passagem. Encontrar uma solução continua a ser decisivo, porque, para lá dos efeitos no comércio internacional e nos hidrocarbonetos, mais de 20 000 marinheiros civis continuam também retidos na região há muitas semanas.
A crise, portanto, está longe de terminada, embora o Presidente Donald Trump tenha manifestado optimismo: “Um grande dia para a paz mundial! O Irão quer isso, eles estão fartos! Toda a gente também! Os Estados Unidos da América vão ajudar a tornar o tráfego mais fluido no estreito de Ormuz”, escreveu noutra publicação na sua plataforma Truth Social.
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